Mafalda Macx Política computacional

Utopia!

Pensar em utopias para mim é uma necessidade existencial.

O mundo atual é, para a esmagadora maioria de seus habitantes, um pesadelo inacabável de miséria e medo. Eu tenho o mínimo de empatia. Logo, me incomoda enormemente que tanto sofrimento persista, quando a esmagadora maioria das causas tem soluções conhecidas. Nós somos abismalmente terríveis e, conscientemente ou não, cruéis na distribuição atual que fazemos da aplicação dessas soluções.

E não dá para dormir em paz sabendo que tão poucos a terão. Por isso é preciso maquinar. O tempo todo. Árvores decisórias, sequências de eventos, tendências tecnológicas. Aonde o mundo vai? Como influenciá-lo? Como distribuir poder? Como diminuir o somatório global de dor?

Eu não quero viver em um mundo onde não haja ao menos algum caminho lógico e plausível, ainda que longo, trabalhoso e improvável, de como as coisas podem acabar bem. Se não existir, qual é a satisfação em tapar os olhos, aproveitar a vida e continuar perpetuando o sofrimento alheio? Não dá para ser o Cypher e pedir para apagarem sua memória e te reinserirem na Matrix do privilégio.

A utopia, portanto, não é uma tolice escapista. Pelo contrário, é um planejamento estratégico que motiva e orienta a luta cotidiana. A utopia é uma necessidade, um imperativo. Utopiem!